De um conceito em aberto a um app de carro conectado com ótima avaliação
Liderando o design do app oficial de carro conectado da Honda — da estratégia ao desenho da solução final
A home — controles remotos ao alcance. Idealmente um clipe curto de um comando remoto sendo acionado (ligar o carro ou o ar).
Como conduzi o design do app oficial de carro conectado da Honda — de um conceito aberto, passando por estratégia e pesquisa, até um produto no ar. Hoje com 4,9 no Google Play e mais de 100 mil downloads.
Escopo definido, conceito em aberto
O My Honda Connect é a plataforma oficial de serviços conectados da Honda — controles remotos do veículo, informações em tempo real, uma camada de segurança e proteção, e o relacionamento com a Honda, tudo pela telemática do carro.
A Honda chegou com a estratégia e o escopo de funcionalidades já definidos, mas com o conceito muito aberto — sem consenso sobre qual caminho tinha o melhor custo × benefício. Somava-se a isso a complexidade da própria Honda: uma empresa com várias camadas de gestão, onde uma decisão de produto atravessa muitas áreas. Então o desafio real nunca foi “quais funcionalidades” — era transformar um conceito aberto em uma experiência definida, dentro de uma organização que primeiro precisávamos aprender a atravessar.
A Honda trouxe duas âncoras: o escopo e a estratégia fechados, e um conjunto de pesquisas de mercado que usamos como base. Nosso papel a partir daí foi conduzir a estratégia de design e a pesquisa — reduzir a ambiguidade a uma direção que o time pudesse construir com segurança.
Entender a Honda por dentro, o usuário por fora
Para não desenhar no escuro, conduzimos um discovery em três frentes.
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Dentro da Honda
Sete entrevistas com áreas diferentes — marketing, CRM, vendas comerciais, publicações técnicas, entre outras. Revelaram a expectativa e as preocupações de cada área, e como cada uma poderia nos apoiar no caminho. Numa empresa com várias camadas de gestão, foi isso que nos deu a leitura de como as decisões são tomadas e de como o produto reverberaria pela organização.
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O usuário
Entrevistas com usuários de perfis extremos — motoristas experientes, com repertório em vários carros e familiaridade real com apps de carro conectado. Perfis extremos porque expõem os limites da experiência: o que esse usuário espera, onde a tecnologia costuma frustrar e o que já virou expectativa consolidada na categoria.
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A categoria
Um benchmark de soluções nacionais e internacionais — como esse tipo de produto é ofertado pelo mundo: funcionalidades, qualidade da experiência, forças e fraquezas de cada concorrente. Virou uma das bases mais importantes para calibrar o que era padrão da categoria, o que era diferencial e onde a Honda tinha espaço.
Consolidamos tudo em um relatório executivo — a pesquisa traduzida em insumos de decisão para levar ao workshop.
Três dias para fechar o escopo — e decidir
Com o relatório em mãos, levamos tudo para um workshop de três dias com o time de design e o time de negócios da Honda. O objetivo era sair com uma decisão, não com mais opções.
Ao longo dos três dias, exploramos áreas de oportunidade e a jornada do usuário, e chegamos a duas entregas concretas: o escopo final do produto, alinhado entre design e negócio; e uma base de experiência — incluindo um primeiro desenho das telas do que seria uma boa experiência. Essa base saiu da sala já validada entre as partes, e virou o ponto de partida para o time de design construir a experiência final.
O workshop traduziu essa etapa em um acordo baseado em artefatos: um mapa de stakeholders para saber quem realmente dependia do produto, um canvas de oportunidade conectando cada público da Honda a uma necessidade e um diferencial, e personas construídas direto da pesquisa. A partir daí, mapeamos a jornada AS-IS do usuário com o carro — da intenção de compra às primeiras viagens, revisões e renovação — e usamos as fricções e o sentimento que encontramos ali, somados às prioridades do próprio negócio, para fechar o escopo do produto com confiança real, não só uma sala de pessoas concordando.
Transformar um produto grande em um produto navegável
Com o escopo fechado e o caminho de experiência definido, atacamos duas frentes em paralelo. Primeiro, a arquitetura de informação. Dado o tamanho do produto — controles remotos, status e saúde do veículo, serviços e agendamentos, viagens, localização e cerca geográfica, multiperfil (condutor principal, condutor com acesso limitado, administrador de frota), planos e assinatura —, organizar essa complexidade em uma hierarquia clara e navegável foi uma decisão central. Definimos como as coisas se agrupam, o que ganha lugar na home e o que fica a um toque de distância.
Em paralelo, construímos o design system — tipografia, cor e o resto da linguagem visual. Uma escolha deliberada: partimos da identidade visual da Honda como referência, mas construímos o design system do zero, sob medida para o app. Nada foi herdado de uma solução existente da Honda.
Validado, testado, e então no ar
Com arquitetura, experiência e layout amarrados, chegamos a um protótipo de alta fidelidade e o validamos com a equipe da Honda.
Depois da validação interna, levamos a solução para um teste de usabilidade com seis usuários. Rendeu uma série de aprendizados, e a partir deles uma rodada de ajustes e melhorias que entraram na primeira versão implementada do aplicativo.
Nove pares problema/solução que saíram dessas sessões.
Conveniência, segurança, relacionamento
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Conveniência
Controles remotos na palma da mão: ligar e desligar o carro e o ar-condicionado, travar e destravar as portas, encontrar o carro no estacionamento.
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Segurança e proteção
Informações do veículo em tempo real, alerta de colisão, alarme, rastreamento e cerca geográfica — com uma camada de autenticação (PIN / biometria) protegendo os comandos remotos.
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Relacionamento e serviços
Agendamento de revisões e serviços, histórico, manual e assistência — aproximando o cliente da Honda no pós-venda.
As principais telas, de ponta a ponta.
A interface se apóia em um design system construído do zero para o app — botões em todos os tamanhos, estilos e estados (default / inverted / light / inactive, com e sem ícones), além dos control-buttons próprios, marcadores de temperatura, hints, chevrons, snackbars e padrões de card. Tudo construído como componentes do Figma, para que uma mudança de estado em uma variante se propagasse por todos os lugares onde ela vivia.
No ar, e ainda crescendo
Atuei desde o conceito inicial até a primeira versão do design do app, liderando a frente de design de produto ao lado de um UX designer pleno e um UI designer pleno. O app segue vivo e evoluindo com outros times em uma base muito semelhante ao que foi definido em projeto — não trabalho mais nele, então os números atuais das lojas refletem o produto que ajudei a originar, não um resultado que eu possa reivindicar sozinho.
- 4,9 / 5
- Nota no Google Play
- 4,8 / 5
- Nota na App Store
- 100 mil+
- Downloads (Google Play)
Números atuais das lojas — entre os mais altos da categoria. A contagem de downloads só é oficial no Android; a Apple não a divulga, embora o volume de avaliações e a nota na App Store sugiram uma base de tamanho parecido. Refletem anos de trabalho de vários times desde então; liderei a experiência inicial até a primeira versão do design do app e não atuo mais no produto.